segunda-feira, 26 de maio de 2008

Linha cruzada

Acordou às 8 da manhã assustada. Um sonho que não sabia descrever nem dizer se foi bom ou ruim. Coração ficou apertado. Pegou o celular para ver se tinha algum recado. Nada. Nenhum e-mail. Tentou falar com ele. Nos dois celulares. Desligados. Imaginou que ele estivesse voando. Fazia sentido. O maior sinal que ele estava a caminho: fazia um dia lindo! Sempre fazia dias lindos quando ele estava para chegar. Céu azul. Sol.

Passou o dia inteiro na dúvida. Se ele estava fazendo uma surpresa de chegar sem avisar, ela faria uma surpresa maior ainda de ir ao aeroporto encontrá-lo. “Será que ele vem? Será que eu vou?” Olhou na internet o horário do vôo que normalmente ele vinha. Estava atrasado e só chegaria no fim da tarde. Deixou o dia rolar. Correu na praia, leu o jornal, almoçou com a família, quase como todo domingo.

Quando estava chegando na hora, ponderou que o trânsito até o aeroporto estaria infernal e achou melhor não ir. Além desse motivo, haviam muito outros que a razão mostrava para não ir. E quando ela mesma tentava responder o por quê de ter ido, caso ele perguntasse, ela não sabia responder. A única resposta que vinha a cabeça era "Meu coração mandou". O que aconteceria no caminho até a casa dele, quais assuntos iriam conversar, se ela o deixaria em casa e nada mais... pensou em tudo e não pensou em nada!

Ela havia recebido uma mensagem na véspera que durante a semana que se iniciava deveria ficar atenta aos sinais que a vida iria mostrar. Que respostas viriam em forma de sinais e que cabia a ela interpretá-los. Ela achou que tinha algum sinal por trás disso tudo e resolveu seguir o coração e a intuição. Colocou um vestido bonito, passou o perfume que ele gosta e seguiu. Rumo ao quê? Ela não sabia.

Chegou no aeroporto junto com o avião. O coração na boca. Ansiosa. Muita gente chegando, muita gente esperando. Ela se posicionou estrategicamente, encostada numa coluna, longe da aglomeração, mas onde ele não poderia deixar de vê-la. Depois de uma hora em pé, parte da excitação já tinha passado. As pernas estavam cansadas. Depois de duas horas em pé, e boa parte das pessoas já terem partido, chegou a conclusão que ele não estava nesse vôo.

A essa altura já havia perdido o horário do bailinho com suas amigas. Perdeu duas horas da sua vida e perdeu o bailinho. Mas buscava uma explicação de por que ela deveria estar ali. Por que ela não deveria ter ido ao bailinho.

Pediu para uma moça ligar para o telefone dele do Brasil e ver se chamava. Não queria que aparecesse o seu número e estragar a surpresa. Ainda tinha uma esperança que ele estivesse por trás daqueles vidros e que a alfândega tivesse criado caso mais uma vez. Caixa postal. Resolveu ligar para o telefone dele de Portugal. Chamou. Ela desligou. Ele não veio.

De volta no seu carro, pensou que tinha entendido o sinal errado. Que não havia sinal nenhum mas sim que ela era uma burra, que não tem que ouvir seu coração. Inconformada, revoltada, devastada. Lágrimas e soluços durante todo o caminho até que ela entendeu tudo. Mais do que um sinal, foi uma lição completa.

5 comentários:

Rodolfo Barreto disse...

É muito bom quando a gente não tem resposta pra tudo. Como ouvi num filme, "Meet me in Montauk".

Re disse...

Nosso coração nos engana tanto....
beijos
Re

Wilson disse...

Só tenho uma coisa a dizer... tô louco pra visitar esse "bailinho"!

Cláudia disse...

Olha, eu sou mestra em torcer os sinais a meu favor. É um talento todo especial e claro que quebro a cara várias vezes. Mas é que sempre fica aquela dúvida no fundinho: e se...? E ficar na dúvida é muito pior do que quebrar logo a cara e pronto.

UtópicA disse...

Melhor sofrer pelo certo do que pela dúvida do "e se..."

Devia ter ido pro bailinho depois. Fala pra essa menina não chorar assim e pra ela me ligar que a gente fofoca no telefone até que ela acabe rindo disso tudo.

bjs!