quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Bye bye, baby

Esse é um post de despedida... Despedida de 2009, ano que cá pra nós (ou pra mim) foi bem chatinho, e termina de maneira não esperada. Mas também despedida do blog. Ele já está meio abandonado mesmo e acho que vocês nem passam mais por aqui.

O fato é que uma fase se encerra junto com o DoMeuMundo. Ele foi muito importante na minha vida durante esses 2 anos. Foi meu companheiro de viagem, de aventuras, de amarguras,... Dividi tudo com vocês: risos, lágrimas, angústias, tristezas, alegrias, e bobagens do meu dia a dia.

Aprendi a enxergar meus dias de outra forma, tirando sempre alguma coisa para compartilhar com vocês. Como um dever de casa mesmo. Fosse em casa, no supermercado, na praia, no trabalho, alguma coisa tinha que valer a pena registrar aqui.

Independente de quem lesse, se comentariam ou não, era meu.

Foi necessário para mim. Só para mim. Mas não faz mais sentido.

Fiz amigos por aqui, deixei amigos distantes um pouco mais próximos, desconhecidos sabiam mais de mim do que conhecidos. Bisbilhoteiros idem. Exercitei minha escrita, imaginação, criatividade, mas já deu o que tinha que dar.

Agora minha vida será compartilhada com quem está próximo de mim de verdade. E se você não está, é só se aproximar. Quer saber de mim? Me liga!

"Não imagine que te quero mal, apenas não te quero mais."

Que vocês tenham um 2010 brilhante, como vai ser o meu! Um ano em que idéias brotarão, planos sairão do papel, sentimentos novos nascerão, e só o que é importante vai realmente importar.

Com carinho,

Anna

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Black out is the new black

Estou escrevendo no escuro, ou melhor, a luz de velas. Acho que não tenho lanterna, mas as velas estavam mesmo carentes... Assim como aqui em casa, parte do Brasil está no breu.

As notícias chegam pelo celular. Achei que era só minha casa, depois o Leblon. Em seguida veio notícias de Botafogo e da Lapa, contando que em Niterói e até Búzios tinham apagado. Opa! São Paulo e Curitiba também.

Estava no banho quando a luz piscou e caí na gargalhada porque há 4 anos moro nesse apartamento e de uns meses pra cá sempre que chego em casa e acendo a luz penso “Nunca queimou uma lâmpada aqui em casa.” Achei que tinha chegado a hora.

Saí do banho no escuro e vi que tudo estava apagado. Como tive um problema no quadro de luz no mês passado, pensei que tinha desarmado o disjuntor (é assim que escreve?) Mas vi que os prédios vizinhos também estavam.

Peguei um pijama no tato e já comecei a pensar “O que é que eu vou fazer sem luz? Não tem internet, TV, não dá pra ler... Mas tem o iPhone – enquanto durar a bateria. E queria fazer comer alguma coisa mas não dá pra ligar a sanduicheira nem a torradeira. Será que meu fogão ainda funciona? Vai fazer aniversário que não uso nem para esquentar água. Ah! O microondas está quebrando, não que faça alguma diferença já que não tem energia.

A troca de torpedos seguiu frenética e as informações foram sendo repassadas. Enquanto restar bateria. A internet do celular não funciona e pensei com os meus botões que esse é um blackout gerado pelas companhia de celular porque todo mundo deve estar usando sem parar.

E o vizinho grita “Mengo!!!” na janela. O Flamengo está jogando? Como ele está vendo? Ou está só de sacanagem?

Só assim que a gente percebe o quanto é dependente da eletricidade. Tudo bem que em boa companhia um escurinho desses é muito bem vindo, mas... tá chato...

Aí chegam as preocupações com o trabalho. Será que o gerador entrou? Hotel lotado e todo mundo preso dentro dos seus quartos, sem ar-condicionado... Nem vou ligar para saber! Tem um diretor morando lá e cuida disso.

E se não voltar amanhã? Feriado Nacional e prejuízos mil. Ainda bem que a minha geladeira está semi-vazia. Pena que meu sorvete de macadâmia vai derreter. É melhor comer ele agora. Com bolo de maçã da mamãe que eu trouxe do fim de semana. Se tivesse luz e microondas ia ficar melhor ainda...

Só mesmo a falta de luz para me fazer escrever, pelo menos enquanto a bateria do laptop durar.

Eu só durmo com a televisão ligada. Como vai ser? Será que vou conseguir dormir com esse silêncio e escuro?

Agora ouço a vizinha que fala alto no telefone falando mais um monte de nomes de cidades e estados no escuro: Brasília, Goiás, Pernambuco, Bahia... E solta uma gargalhada: “É no Brasil inteiro”

Amanhã já vai ter gente falando que não tem como sediar Olimpíadas coisa nenhuma já que até luz falta.

Já viu que os assuntos estão aleatórios e esse post sem pé nem cabeça mas é falta do que fazer mesmo.

Agora lembrei da Malu, que deve estar lá no meio do Jalapão e nem deve estar sabendo de nada (nem sentido falta do secador de cabelo).

Ah! Vou tirar foto pela janela com longa exposição! Vamos ver como o breu sai na foto.

Acabou passar um helicóptero, provavelmente o Globocop, filmando o escuro., ou as velas acesas...

Os condomínios da Barra devem ter gerador e as madames devem estar no fresquinho assistindo HBO. Ainda bem que pelo menos a chuva deu uma amenizada no calor. Que estufa está essa cidade!

Sodoku e Paciência no computador enquanto ainda tem bateria. Será que eu deveria poupar a bateria? Será que tem mais alguém escrevendo um post sobre o escuro nesse momento? Será que a luz volta?

Ainda bem que o aquecedor é a pilha e pude terminar meu banho...

Eu não gosto de cheiro de vela.

Alguém conversa comigo? Tá chato... Se eu ainda soubesse meditar. Mas não sou nada zen.

Baralho? Alguém?

Se pelo menos o wifi do vizinho funcionasse...

O helicóptero voltou.

Já contei pra vocês que porco não consegue olhar pro céu? Eles não tem pescoço...

Nossa, tá ficando longo isso, né? Ninguém vai ler até o final. Principalmente se a luz não voltar e eu continuar escrevendo essas bobagens aqui.

Ih... minha champagne na geladeira vai ficar choca. Será que é melhor eu beber e celebrar o black out?

DVD no computador não dá. A bateria não vai agüentar nem o trailler.

Quem sabe o nome dos Sete Anões de cor? Dunga, Zangado, Mestre, Atchim, Feliz, Soneca... Sempre falta um!

E a Madonna, nem deve ter percebido o Black out porque tem seu gerador próprio: o Jesus Luz! Infame!!!

Lá se vão 2 horas e nada...

Eu tenho que tentar dormir. Alguém me chama se tiver alguma novidade? Ou quiser brincar?

Fui pra cama e fiquei com medo de algum homem aranha escalar meu prédio e me assaltar. Qualquer barulinho era susto. Voltei.

Será que tem mais gente como eu, pensando esse monte de bobagens enquanto espera a luz voltar?

E você, me conta, o que ficou fazendo enquanto estava no escuro?

(E como esse post está no ar, significa que a luz voltou!)

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

100 metros de existência

Um pouco mais de arte que eu gostaria de ter feito... Dessa vez fotografia!

Durante 20 dias o fotógrafo Simon Hogsberg “se plantou” numa ponte em Berlim para fotografar as pessoas que por ali passavam. O resultado disso chamado de “We’re all gonna die” são 100 metros de fotografia e 178 pessoas, cada uma mais interessante que a outra.

Vale a pena ver tudinho aqui e reparar cada detalhe, cada expressão!

(via Update or Die)

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Do mundo dela e um pouco do meu

Desavisada

"Faltou você me falar que depois de você, eu teria de implorar por elogios (toda sorte de elogios) como um mendigo implora por comida;

Faltou você me dizer que ninguém mais me amaria incondicionalmente, independente de quem eu me tornasse;

Faltou você me contar que, com exceção de você, o restante das pessoas se importaria com cada um dos meus quilos a mais, com o corte, tamanho e a cor do meu cabelo e com as minhas roupas transadas ou a ausência delas;

Faltou você me avisar que era o último homem que prestava;

Faltou você me alertar que pessoa nenhuma apreciaria tanto as minhas idéias, as minhas ilustrações e mesmo a nhaca de minha comida natureba;

Faltou você me advertir que abraço nenhum seria tão apertado;

Faltou você insinuar que ninguém teria a paciência você teve com minha família, e o amor;

Faltou você me ensinar que amar é permanecer, que a coisa mais fácil é desistir, que só desiste quem não enxerga potencial e que todas as coisas têm potencial;

Faltou você ressaltar que pouquíssimas pessoas conseguem de fato ter fé nas outras, e que a fé que não tinha em deus, você depositava toda em mim;

Faltou você enfatizar que quase todo mundo é covarde;

Faltou você sugerir a impotência que – sozinha – eu sentiria ante cada formulário de banco, cada novidade da Apple e cada vencimento do contrato de aluguel;

Faltou você prever que a partir do momento em que eu partisse, a minha história se dividiria em duas partes: antes de você e depois, e que para o resto da vida eu morreria de saudade da primeira.

Faltou eu gritar que te amo. Mentira, eu gritei. Só não agi de acordo. Faltou você me dizer o quanto isso iria doer."

Da querida Flavia Stefani, uma daquelas almas especiais que entram na sua vida sem aviso prévio com carinho gratuito e compreensão em forma de sorriso.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

A gente não quer só comida...

Nova York é assim: arte, cultura, informação e intervenção em qualquer esquina. (Além do consumo, claro!)

E no mesmo dia, depois de visitar uma galeria super bacana e o meu sempre favorito MoMA, fiquei pensando na arte, na sua subjetividade, na sua profundidade ou superficialidade, mas principalmente na arte que conversa comigo, fala a minha língua. Fala, lê e escreve. E cheguei a uma conclusão bem simples para classificar a arte que eu gosto:

Aquilo que eu gostaria de ter feito; e/ou
Aquilo que eu gostaria de ter na minha casa.

Fora isso, que me desculpem os experts, os marchands, etc, mas não me ganha.

Essa regra serve para qualquer tipo de arte, inclusive música, poesia, fotografia...

E nesses dias esbarrei muito com "o meu tipo de arte", relembrando músicas antigas e cantando no metrô, ouvindo novas bandas que cantam com a alma (além de todo tipo de instrumento, de violino a serrote), visitando uma exposição de fotos que me arrepiou, ouvindo a história da esquina que viu o beijo mais lindo do mundo, vendo idéias simples e fantásticas em papelarias ou lojinhas de design,...

E antes que acabe a semana, esbarro com um poema que me fez chorar, com palavras que parecem que foram roubadas do meu coração, palavras que eu não escrevi mas queria ter escrito pois são latentes na minha cabeça. (Vou pedir permissão para a autora e publicar aqui)

Eu preciso dessa arte, essa que mexe comigo, como eu preciso de ar ou água para sobreviver. E a cada dia que passa tenho mais certeza disso. Tenho esquecido de "tomar" minhas doses diárias e deixado de ver um pouco as cores e os sons bons da vida.

Note to self: não passar um dia sem a minha dose mínima.

Ah! E para terminar, deixo uma frase que ouvi e que mexeu muito comigo porque nunca tinha pensado nisso: "A música é a única arte que te ataca pelas costas", de Millor Fernandes.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Embarcando

Fiquei devendo um post sobre a minha ida à Paquetá... Faltou tempo e sobrou preguiça para escrever. Estou super envolvida com as pesquisas da minha viagem de férias (tá chegandoooo!) e acabou passando uma semana...

Bom, você já foi a Paquetá? Não? Então vá! Eu nunca tinha ido e não tinha grandes expectativas. Passear em Paquetá sempre foi sinonimo de cafonice, farofada, programa de índio...

Só que tudo isso depende do seu estado de espírito. Se for esperando uma ilha do Caribe, esquece! Se for esperando uma cidade charmoso como Búzios, esquece! Se estiver esperando uma viagem no tempo para uma pacata cidadezinha do interior, vai fundo!!!

Paquetá na verdade é um bairro do munícipio do Rio de Janeiro. Uma ilha à pouco mais de 1 hora de barca do Rio. No último domingo do mês, rola chorinho na barca (que continua por lá no Centro Cultural) e é sempre uma data bem mais movimentada.

Meu objetivo era fotografar. Já tinha fotografado na barca no ano passado, mas é sempre muito legal você reinventar o olhar sobre alguma coisa já vista (e registrada). Saiu uma série bem bacaninha em P&B que está no flickr.

Já em Paquetá, eu parecia pinto no lixo. O que tem lá? Nada! rsrs Ruas de terra sem carros, só bicicletas (quase na mesma proporção que a China), charretes (o cheiro de coco de cavalo é predominante), cachorros vira-lata que vigiam os cruzamentos como se não houvesse amanhã, crianças jogando bola,... uma vida sem pressa para acontecer.

Rendeu boas fotos, mas mais que isso uma experiência de sair da loucura da cidade grande para o lugar mais pacato e bucólico que já conheci (até agora...).

Quero voltar, andar de bicicleta, tomar cerveja e comer pastel no boteco, ver o por do sol, como se não houvesse amanhã.

Quem embarca nessa?

Em tempo: tô embarcando em outra viagem! Saio de férias essa semana e Do Meu Mundo fica em recesso. Estarei registrando essa viagem em outro endereço que poucos de vocês vão ler. Peço desculpas mas não vou publicar o link aqui porque perdi o controle de quem acessa esse blog e as vezes a gente não quer se expor taaaanto...

Na volta, prometo contar algumas histórias (sei que vou ter muitas) e com certeza muuuuitas fotos!

Até a volta!

Beijos

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Como é grande o meu amor por vocês


E ele abre os braços e dispara "Quando eu estou aqui eu vivo esse momento lindo...". E assim dispararam todos os 68 mil corações que preencheram cada centímetro do Maracanã numa noite inesquecível.

Inesquecível para mim foi ver a cara da minha mãe ao entrar pela primeira vez no ex-maior estádio do mundo. Inesquecível para mim foi ver o meu pai dando aquela corridinha na rampa como um jogador entrando no campo. Inesquecível para mim foi o longo abraço do meu irmão enquanto eu chorava por 3 músicas seguidas. Inesquecível para mim foi tomar um banho de chuva de lavar a alma e ver a minha família sorrindo encharcada. Inesquecível para mim foi ouvir o chorinho da minha irmã, antes de começar o show, de como ela queria estar com a gente.

Roberto Carlos foi coadjuvante, um detalhe tão pequeno de um presente que eu queria dar para a minha família, mas só aqui entre nós, foi um presente para mim.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

S.O.S

Concluir que precisamos de ajuda e correr atrás dela é um dos momentos mais realizadores que a gente pode se permitir. Pode ser um empurrão de alguém querido ou a própria consciência, as fichas que começam a cair sinalizando que o limite chegou (ou passou).

Às vezes tentamos disfarçar para os outros e para a gente mesmo que está tudo bem, que amanhã vai passar, mas o peso vem mais forte e tirar a fantasia de Mulher Maravilha é um passo de humildade.

Depois do domingo-liquidificador as minhas fichas começaram a cair e ontem foi o dia D. Realizei que estou com problemas e que não vou conseguir desatar certos nós sozinha.

Surpresa! Eu tenho problemas!! Você não sabia?? Talvez porque não tenha perguntado. Talvez porque o "Tudo bem?" passou a ser um cumprimento como "Bom Dia" e não significa realmente que alguém tenha interesse em saber como você está.

Além disso é muito chato alguém perguntar "Tudo bem?" e a gente começar a desfiar um rosário de problemas. Cada um já tem os seus para que encher os ouvidos dos outros? Para isso existem os profissionais, que pagamos (alto) para nos ouvir.

E foi o que fiz hoje. Depois de quase 2 anos de alta, liguei para a minha terapeuta pedindo arrego. Só de ter feito isso as coisas ficaram mais leve (uns 100 gramas) e depois de 2 horas de conversa começo a ter noção dos próximos passos.

Decidi dizer alguns "Nãos", "Não posso", "Não consigo", "Basta"! Me dei essa sexta-feira de folga para ficar comigo, desligar a tomada e o celular, organizar os pensamentos, os sentimentos, os planos, ou simplesmente não fazer nada! Preciso cuidar dessa carcaça já que ninguém vai fazer isso por mim.

Foi bom perceber isso com a cabeça antes que a saúde me desse alertas mais sérios.

O mundo ficou muito pesado para mim.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

A lógica das coisas sem lógica

Um domingo daqueles em que nada te traz alegria. Tento a praia, exposição, shopping e nada... Oito da noite e um desejo súbito: milk shake de Nutella. Isso pode salvar o domingo!

Onde posso encontrar um? Onde posso tomar um sem me sentir uma infeliz, sozinha, matando a carência com um líquido venenoso? Talvez seja melhor fazer isso em casa, longe dos olhares penosos que penso poder encontrar.

Ainda na rua, visito virtualmente minha geladeira e tenho certeza que lá habita um pote de sorvete de creme. Só falta a Nutella e... um liquidificador!!!

Isso mesmo, eu não tenho liquidificador. Há quatro anos não uso esse eletrodoméstico (na separação acho que ficou com o ex-marido). Acho que vale o investimento, não só pelo milk shake mas pode ser útil, não?

Lojas Americanas deve estar aberta! Quanto será que custa um liquidificador? Quanto custa um milk shake? O que eu preciso no momento: um milk shake ou um liquidificador? Ou os dois?

Bom saber que depois de quatro anos, eu precisei mais de um liquidificador do que um marido.

Ou será que o que eu precisava era um marido? Talvez se eu tivesse um não precisasse de um milk shake de Nutella. Aí não ia precisar de um liquidificador.

129,90 + 5,99 = final de domingo feliz (e enjoada com 1 litro de droga achocolatada na veia)

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Eu &... Michael?

Minha mãe disse que passou o dia inteiro esperando pelo meu post sobre o Michael Jackson. Expliquei que até pensei em escrever mas não tinha nada para dizer, simplesmente porque não lembro de nenhuma passagem do Rei do Pop na minha infância/adolescência. Poderia inventar um monte de histórias mas nada...

Isso mesmo! Não dancei Billy Jean nem Thriller! Em 82 eu tinha 5 anos! Talvez Bad, em 87. Já disse e repito que tenho problema de memória então... Para não dizer que não lembro de nada, lembro sim do clip de Black or White. Isso foi o que... 1991! Tinha 14 anos! Era fascinada pelas imagens e pela música, mas não tinha You Tube. Não sei onde eu assistia. Já tinha MTV na TV aberta? Não lembro de ter nenhum disco dele. Sei que conheço todas as músicas mas não consigo puxar na caixola de que época vem isso!

Em compensação, lembro bem dos meus outros ídolos, aqueles de comprar revista, disco, ficar namorando a capa... Além de Xuxa, claro, me lembro da época dos Menudos (meu amado era o Robby). Fazia aquelas faixas para a cabeça e dançava "Não se reprima" junto com a minha irmã (que gostava do Rey, se não me engano). Paulo Ricardo, com seu RPM, também habitava meus sonhos e cantava todas as músicas (acho que ainda tenho as fitas cassetes).

Tinha também a Tina Turner (frizava o cabelo junto com a minha prima na tentativa de ficar com "aquele" look) e Madonna (com direito a pinta perto da boca, na época de Like a Virgin e Like a Prayer), com direito a performances com um microfone laranja que também servia para irritar minha avó nos especiais de fim de anos de Roberto Carlos.

No time masculino, tinha também o A-ha (a capa do disco devia ficar melada de tanto beijar a boca do Morten) e o New Kids on the Block, iluminado pelos olhos azuis de Joe. E o impressionante é minha memória guardar as letras das músicas que é só começar que canto inteirinhas, e com as coreografias junto.

Já minha história com Michael não consta em nenhum arquivo desse HD capenga. O que não significa que eu não tenha ficado triste com a morte dele (jurava que era boato quando ouvi a mulher ao meu lado no provador de uma loja dar a notícia, também incrédula). Mas também feliz por estar ouvindo tudo (de novo?) e agora sim escrevendo algum registro sobre o gênio-louco-preto-branco que precisou chocar e se envolver em escândalos durante anos e por fim morrer para terminar esse capítulo-espetáculo da história. História triste, de uma cara infeliz, doente, que deixa muitas dívidas mas uma herança incalculável. História sem final feliz.

E talvez essa história seja similar a de quem viveu na época da morte de Elvis Presley, John Lennon e outras lendas da história da música. Um dia meus filhos vão ouvir falar nele, ouvir as músicas, ver os videos e provavelmente não vão se impressionar.

Mas sua música continua viva. Para mim, mais do que nunca.

(Quando chegar a vez da Madonna vou ter um monte de histórias para contar!)

(Há 24 horas só ouvindo Michael Jackson)

terça-feira, 16 de junho de 2009

Prepare-se para chorar!

Recebi esse texto por e-mail, dizendo que era um artigo da Revista Exame (não sei se é nem quem escreveu pois não tinha créditos então se alguém souber, por favor colabore).

Tem muito a ver com aqueles drops que deixei aqui na semana passada. Tem a ver com o hoje! Tem a ver com a reflexão de como você está vivendo a sua vida. Se é que você está...

Me derrubou as 14:30 de uma terça-feira furacônica! Que ajude você a mudar alguma coisa na sua vida, pelo menos hoje.

"Aí um dia você toma um avião para Paris, a lazer ou a trabalho, em um vôo da Air France, em que a comida e a bebida têm a obrigação de oferecer a melhor experiência gastronômica de bordo do mundo, e o avião mergulha para a morte no meio do Oceano Atlântico.

Sem que você perceba, ou possa fazer qualquer coisa a respeito, sua vida acabou. Numa bola de fogo ou nos 4 000 metros de água congelante abaixo de você naquele mar sem fim. Você que tinha acabado de conseguir dormir na poltrona ou de colocar os fones de ouvido para assistir ao primeiro filme da noite ou de saborear uma segunda taça de vinho tinto com o cobertorzinho do avião sobre os joelhos. Talvez você tenha tido tempo de ter a consciência do fim, de que tudo terminava ali. Talvez você nem tenha tido a chance de se dar conta disso.

Tudo que ia pela sua cabeça desaparece do mundo sem deixar vestígios, como se jamais tivesse existido. Seus planos de trocar de emprego ou de expandir os negócios. Seu amor imenso pelos filhos e sua tremenda incapacidade de expressar esse amor. Seu medo da velhice, suas preocupações em relação àaposentadoria. Sua insegurança em relação ao seu real talento ou quanto às chances de sobrevivência de suas competências nesse mundo que troca de regras a cada seis meses. Seu receio de que sua mulher, de cuja afeição você depende mais do que imagina, um dia lhe deixe. Ou pior: que permaneça com você infeliz, tendo deixado de amá-lo.

Seus sonhos de trocar de casa, sua torcida para que seu time faça uma boa temporada, o tesão que você sente pela ascensorista com ar triste. Suas noites de insônia, essa sinusite que você está desenvolvendo, suas saudades do cigarro. Os planos de voltar à academia, a grande contabilidade (nem sempre com saldo positivo) dos amores e dos ódios que você angariou e destilou pela vida, as dezenas de pequenos problemas cotidianos que você tinha anotado na agenda para resolver assim que tivesse tempo.

Bastou um segundo para que tudo isso fosse desligado. Para que todo esse universo pessoal que tantas vezes lhe pesou toneladas tenha se apagado. Como uma lâmpada que acaba e não volta a acender mais. Fim.

Então, aproveite bem o seu dia. Extraia dele todos os bons sentimentos possíveis. Não deixe nada para depois. Diga o que tem pra dizer. Demonstre. Seja você mesmo. Não guarde lixo dentro de casa. Não cultive amarguras e sofrimentos. Prefira o sorriso. Dê risada de tudo, de si mesmo. Não adie alegrias nem contentamentos nem sabores bons. Seja feliz. Hoje. Amanhã é uma ilusão. Ontem é uma lembrança. No fundo, só existe o hoje.

PENSE NISSO !!!"

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Comemore!

Esse é o meu primeiro dia dos namorados oficialmente de coração desocupado, depois de muitos anos. Confesso que é estranho, diferente...

Estranho mas não é um grilo como muitas mulheres por aí que tem essa paranóia de desencalhar, de simpatia para Santo Antonio, de sair para caçar... Sou solteira por opção.

Eu já me casei quando achei que tinha que casar, me separei quando achei que tinha que separar, já amei e fui amada como muita gente (casada ou namorando) nunca foi.

Pretendentes não me faltam (e isso é ótimo para saber que tá tudo certo por aqui). Mas para que repetir padrões que eu não quero mais? Para que perder meu tempo com o que não me aproxima dos meus objetivos? Me divertir com alguma coisa que não vai dar em nada? E ainda correr o risco de me machucar ou machucar alguém?

O que eu busco ainda não tem nome, não tem formato, nem tamanho. Na verdade o que busco eu não busco. O que eu busco vai me encontrar.

Faz falta ter alguém para dormir abraçadinho, ver aquele filme bobo domingo a tarde? Claro! Faz falta ter alguém que te faça ir para a cozinha feliz da vida seja para fazer um banquete ou um misto quente? Sim, faz! Também faz falta beijar na boca, fazer sacanagem, falar bobagem, rir e chorar. Tem um lista enorme de "faltas" mas a gente consegue sobreviver sem isso. Não sei por quanto tempo, mas consegue!

E enquanto isso, estou me divertindo muito, cada dia mais apaixonada por mim, pela minha casa, pelos meus planos, pelas minhas fotos, pela minha família, pelos meus amigos, pela novas possibilidades, pela vida.

Sei muito bem o que eu quero e principalmente o que não quero. Sei o que me faz bem e o que faz mal. E Dia dos Namorados solteira? Não faz mal nenhum... Comprei um monte de presentes para mim e hoje vou comemorar em grande estilo! Tem uma champagne na geladeira esperando por um bom motivo para ser aberta e hoje eu encontrei um!

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Drops Duplo

"Só existem dois dias no ano que você não pode fazer nada pela sua vida: Ontem e Amanhã"

Dalai Lama

"Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim."

Chico Xavier

(não conhecia e quis deixar aqui para vocês - talvez a maioria já conheça mas é sempre bom lembrar de umas verdades tão importantes como essas...)

terça-feira, 2 de junho de 2009

Poeminha

Quando você tem duas opções tudo fica mais difícil
Quando o difícil é decidir, o fácil é se omitir

Quando se omitir é fácil, o difícil é dormir
Quando dormir se torna uma opção, o difícil é dizer não

Quando amanhecer é esquecer, o difícil é não se perder
Quando se perder se torna uma opção, o difícil é não perder a razão

Quando é fácil entender a emoção, por que é difícil seguir o coração?
Assim só resta uma opção

Paulicéia desvairada

Nasci em São Paulo, mas não me lembro dos 6 primeiros anos de vida na terra da garoa. Acredito que durante a adolescência devo ter passeado por lá, mas também não me lembro. Já tiveram viagens a trabalho, sem grandes registros no HD.

Tá certo que eu tenho problema de memória, alguns dizem que é memória seletiva, mas não acho não... O fato é que minhas lembranças de Sampa são bem recentes, como se eu tivesse conhecido mesmo a cidade há uns 5 anos.

Aí começou uma história de amor com SP. E bota amor nisso! Não... não me apaixonei por nenhum paulista. Mas a cidade serviu de cenário de momentos felizes, inesquecíveis, sentimentos que revivo a cada pouso em Congonhas.

São Paulo também se transformou em problema e solução. Virou sinonimo de hospital, médicos, exames, pontos, UTI e então nasci de novo. Bem perto da data do meu "primeiro nascimento".

Uma nova fase da minha vida começava e a cidade permaneceu no meu caminho. Apareceu como possibilidade de uma nova vida com uma proposta de trabalho recusada. Apareceu com novos amigos (cada vez mais), fotografia e diversão.

Agora me fizeram escolher um time de lá para torcer (como se eu gostasse de futebol)! O "meu" e "então" não me incomodam mais (e já estou fazendo eles falarem "cara"). Já me entendo em certas áreas da cidade. Já puxo papo com taxista. E me vejo até morando lá (apesar de gostar do SPWeekend, sem engarrafamentos!)

E a cada vez que que chego lá gosto mais dos lugares, das pessoas, das inúmeras opções de programas que sempre servem de desculpa para um fim de semana especial. E volto para o Rio uma pessoa diferente.

É, San Pablo... Obrigada por me libertar. Obrigada por transformar meu olhar a cada visita. Obrigada por me fazer ver coisas diferentes em mim mesma e nas outras pessoas.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Eu - versão 414 páginas

Li no blog da Flavita e me deu vontade de fazer também apesar de não ser muito fã de testes! Mas esse é engraçadinho e achei que fez sentido...

É um teste que "revela" que livro você seria (se fosse um): Se você fosse um livro nacional, qual livro seria? Um best-seller ultrapopular ou um relato intimista? Faça o teste e descubra.

E olha que chique o resultado:

"Antologia poética", de Carlos Drummond de Andrade

"O primeiro amor passou / O segundo amor passou / O terceiro amor passou / Mas o coração continua". Estes versos tocam você, pois você também observa a vida poeticamente. E não são só os sentimentos que te inspiram. Pequenas experiências do cotidiano – aquela moça que passa correndo com o buquê de flores, o vizinho que cantarola ao buscar o jornal na porta – emocionam você. Seu olhar é doce, mas também perspicaz.
"Antologia poética" (1962), de Drummond, um dos nossos grandes poetas, também reúne essas qualidades. Seus poemas são singelos e sagazes ao mesmo tempo, provando que não é preciso ser duro para entender as sutilezas do cotidiano.

Vou "me" comprar amanhã e "me" deixar na cabeceira para sempre lembrar disso, principalmente nos dias que o meu olhar não estiver tão doce e poético!

E você, que livro é?

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Sobe???

Meu prédio só tem 3 andares então é muito difícil rolar histórias de elevador, mas outro dia 2 andares foram suficientes para me arrancar gargalhadas.

Entro no elevador e uma senhorinha vem logo atrás. Ouvi ela falando para o porteiro que ia para o mesmo andar que o meu. Esperei por ela que acelerou o passo para pegar a carona. Eu já tinha apertado o botão mas ela não viu.

O elevador começou a se mexer e desceu para a garagem ao invés de subir. E ela olhou para mim e disse: "Já chegou?" Eu respondi que ainda não que tinha descido e não subido. Entra um homem de terno para nos acompanhar na curta jornada.

Foi aí que a velha começou a tagarelar: "Ah! Tem que apertar o botão, né? Eu tenho mania disso. Entro no elevador e esqueço de apertar e depois de 5 minutos começo a reclamar que o elevador não está funcionando. Mas eu tenho 92 anos, né? Quer dizer, tenho 82, mas quero chegar aos 92." E eu solto "Desse jeito a senhora vai longe"

Chegamos. Abro a porta, desço primeiro e seguro a porta para ela. No que eu começo a fechar a porta ela manda: "E ele, não vem também? Ah, vocês fazem um par bonito achei que estavam juntos."

Deus, dai-me paciência com os velhinhos porque sei que vou chegar lá, e continue me dando senso de humor para rir dessas situações embaraçosas. Ainda bem que nunca mais cruzei com o vizinho engravatado!

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Salada Mista

É impressionante como a gente é o produto do meio onde está, nem que seja por alguns instantes!

Quando falei que na feira de São Cristóvão, além de quase achar que estava gostando de Banda Calypso, saí de lá com um saco de tapioca, outro de farinha e um guaraná Jesus, parecia brincadeira. Só provei o guaraná pink e o resto...

Em uma proporção bem menos extrema, nesse sábado fui ao Hortifruti e saí de lá praticamente vegetariana. Ou natureba, vá lá.

No meio daquelas frutas lindas, verduras verdíssimas e legumes incríveis, fui me empolgando e quando vi, o carrinho estava todo colorido. Tinha manga, maçã, pera, morango, tangerina, tomate, aspargos,... Já fiquei planejando chegar em casa e ir direto para a cozinha me divertir com aquilo tudo!

Mas as 5 quadras até a minha casa foram suficientes para esfriar essa relação tão saudável. Bastou guardar tudo na geladeira. Foi só olhar para a garrafa de Coca Cola e pegar uma barra de chocolate...

E até hoje não comi uma uva! Mas prometo que amanhã eu como... Enquanto isso, vai uma salada de frutas aí?

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Leia-se 12 de maio.

Esse post chega com 48 horas de atraso. Na verdade, mais ou menos, porque se fosse postado 48 horas atrás não seria esse post. Explico.

No aniversário do meu pai, da minha mãe e da minha irmã, eu escrevi um post para cada um deles aqui! E na terça foi aniversário do meu irmão, e ele não ganhou post, ficou fora da "tradição". Por dois motivos:

1) Até comecei a escrever mas tinha brigado com ele no final de semana e nem que eu espremesse o coração ia sair alguma emoção.
2) Depois que a paz reinou, pensei que não precisava escrever outra declaração de amor para ele aqui depois da que tinha feito quando ele passou uns tempos aqui em casa.

Daqui a pouco teria que mudar o nome do blog de "Do meu mundo" para "Do mundo dos meus" de tanto que falo e expresso o meu amor pela minha família nessas humildes páginas!

Pois bem, o poetinha merece e não vou deixar passar em branco (nem sei se ainda tenho leitores...), mas ele passou por aqui em busca de um registro e não achou (e partiu meu coração).

Meu poeta fez 30! Começou a melhor fase da vida. E melhor ainda, (para mim pelo menos) estamos mais amigos do que nunca, mesmo brigando!

Meu irmão pode ser a melhor ou pior companhia possível, só depende do programa. Praia? Esquece! Cerveja? Opa, sempre dentro! Cinema ou Restaurante? Pode até ter vontade mas não sai de onde está para acompanhar ninguém. Exposição? Alguma coisa cultural? Dentro também. Esporte? Só se andar de skate e soltar pipa forem considerados esportes. TV? Nem pensar. Cozinha? Ele entra, se for para ELE cozinhar o que ELE quer. Música? 99% nacional, de preferência em vinil. Foto? Video? Inernet? Ele é um nerd! Dos bacanas!

Definiria meu irmão como um sistema nervoso, não pelo "nervoso" em si, mas pela sensibilidade que tem, tanto com as palavras, as imagens, música, pessoas, os sentimentos em carne e osso e sonhos,... Não a toa plantou um Pé de Sonhos que vem dando frutos a cada estação!

É um sedutor, um chato, um criativo, um maluco beleza, uma figura, um preguiçoso, um coração, um pão duro, um inovador, um compositor, um poeta, um folgado, um batalhador, um colecionador, um multi-mídia, um filho caçula, um irmão, um amigo!!

Mas chega de falar do meu irmão! Vocês ainda vão ter que ouvir muitas histórias de nós dois juntos... Aguarde, em breve!

Feliz aniversário, Bro! Atrasado por aqui, mas o 00:01 valeu, não?

sexta-feira, 1 de maio de 2009

O dia em que fui demitida pela recepcionista

Comunicação existe para que? Informar, expressar sentimentos, entreter, mas principalmente para confundir. Interpretação de texto deveria ser matéria obrigatória em colégios, faculdades, pós-graduações, mestrados, etc, durante a vida inteira!

Apesar da interpretação sempre ser pessoal e intransferível, o entendimento errado de uma frase, seja por um vírgula no lugar errado ou por não entender todo o contexto, é a maior causa de brigas, equívocos e também gafes!

Recebi um email de um conhecido prestando sua solidariedade por eu ter perdido o emprego, que a crise realmente é uma caixinha de surpresas (não era o futebol?!?), que conhece várias pessoas que estão passando pelo mesmo, que muitas empresas estão se reestruturando, mas que eu sou muito competente e que vou dar a volta por cima!

Ao responder dizendo que ele devia ter enviado o email para a pessoa errada, ele retorna esclarecendo que passou pelo hotel outro dia e resolveu procurar por mim, mas a recepcionista disse que eu não estava mais no hotel!

Peraí: agora eu tenho que morar no trabalho?? Todo mundo vai embora, todos os dias, e retorna no dia seguinte. Não é porque eu trabalho em um hotel que tenho que morar lá! Eu, hein!

terça-feira, 28 de abril de 2009

Madame Zoraide Tabajara

Aniversário é sempre assim: a gente tenta repetir o que deu certo no que passou, quer estar perto das pessoas queridas, passa o dia inteiro atendendo o telefone e se surpreendendo com pessoas que não imaginava que iriam mandar um parabéns...

Além disso, eu mantenho por hábito há alguns anos fazer o mapa astral, a tal Revolução Solar que acontece nessa época do ano de cada um.

No ano passado, por indicação de um amigo, troquei de astróloga, que graças a Deus não acertou nada, porque só me deu notícia meia bomba. Mesmo assim, resolvi voltar! Apesar de quase ter esquecido, consegui marcar um horário ontem, aos 45 do segundo tempo para ver o que os astros reservavam para mim nesses próximos 12 meses.

Pois não é que Madame Zoraide (não é esse o nome dela) resolveu repetir a mesma ladainha do ano passado? Quase sem mudar nenhuma vírgula! Nas duas primeiras previsões cheguei a falar que estava igual o do ano passado mas depois desisti. Fingi que estava prestando atenção e saí de lá indignada... Astróloga tabajara: tô fora!

Vou deixar os astros irem me mostrando dia a dia o que vai rolar na minha vida, já que dos meus passos cuido eu!

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Os Três Mosqueteiros (ou Três Patetas)


Já era pra sempre mas agora está aqui, no meu punho direito, meus dois amores, amigos, companheiros, irmãos de sangue, de lágrimas e de gargalhadas! Indelével!

Depois de algum tempo esperando o desenho perfeito, que veio pelas mãos do brilhante Christiano Mere, totalmente personalizado, com direito a altura, corte de cabelo e figurino próprios!

Apesar de nenhum dos dois estarem presentes para eu poder morder a mão de um deles, mordi a minha mesma! Advinha quem doeu mais para fazer? Eu mesma! Freud deve explicar!

Taí, fresquinha, inchada e em primeira mão, sem ninguém ter visto pessoalmente ainda (e antes do curativo tipo comida-pra-guardar-na-geladeira)

Amo vocês! 4ever! More then ever!

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Da Capadócia

Depois de uma noite quase sem dormir de tanta ansiedade (parecia uma criança em véspera de excursão) chegou a hora! Cedo, por sinal! 8:30 tinha que estar na Central do Brasil para pegar um trem. O destino, que foi surpresa por algumas semanas, já havia sido revelado e eu mal cabia em mim de tanta excitação em busca de mais uma história diferente para contar!

Só andar trem, para mim, já seria um programa! Nunca tinha pisado na Central... Em pleno feriado, depois de uma greve a base de chicotadas que estamparam todos os jornais, aquilo era uma calmaria só! "Hoje é tudo parador" já anunciava a Marilene da bilhereria. Parador significa que vai parar em todas as estações, ou seja, um city tour pelo lado B do Rio (pelo menos da janelinha).

Já cheia de dicas dadas pela manicure e por um garçom do Hotel, sabia que não deveria pegar o último vagão, que é da galera do mal, que usa drogas durante a viagem, perigo total! Tá, só que nos dias úteis. Hoje nem o vagão feminino tinha serventia.

O trem da ida foi modelo roots! Aquele bem velhinho mesmo, com direito a sanfoneiro cego como prêmio para fotografar. Chegamos em Quintino (Baixada Fluminense), Igreja de São Jorge, o santo de hoje!

Tudo vermelho! E branco! Crianças, velhos, cachorros,... De tudo um pouco! Entre a via sacra de barraquinhas pelo caminho era impossível não encher os olhos com aquele vermelhidão de fitinhas, camisetas, velas, imagens do Santo montado em seu cavalo...

Ao chegar na igreja, uma multidão acompanhava pelo lado de fora uma das dezenas de missas do dia. O calor senegalesco derretia as pessoas além das velas. A chuva de água benta servia inclusive para um refresco entre as chaves de carro, fotos de família, carteiras de trabalho, diplomas e cartelas de remédio.

A expressão de fé de cada um me contagiava e assim como as letras de Roberto Carlos surgiram da minha memória adormecida, comecei a cantar todas aquelas músicas de missa (da época que ia a missa) e ... tá bom, confesso que me emocionei. Me deu vontade de sentir um pouquinho do que eles sentiam...

Guardei minha câmera, comprei meu santinho, fitinhas e fui lá pra chuva de água benta receber um pouco de proteção e pedir para uma lista grande de pessoas queridas.

Entrar na igreja era uma missão impossível (ou de muita devoção) mas com pessoas conectadas, em 5 minutos eu estava na sacristia, e pela porta lateral, tinha a visão similar a que teria a grande imagem do Santo Guerreiro com seu cavalo branco, registrando aquelas pessoas que não medem esforços para estar ali pertinho dele.

Acabada a missa, fui pro altar. A igreja não esvaziava por nem um minuto e os fiéis pediam para os voluntários encostarem seus objetos na imagem do santo e rezavam, choravam, pediam, agradeciam, batiam palmas...

A festa de Jorge continuaria com uma procissão, que não fiquei para presenciar, e como uma boa festa carioca que se presta, ia acabar com feijoada e samba na praça do coreto! Eu tomei só uma cervejinha pra não fazer desfeita (e porque o calor pedia!!).

Missão cumprida, energia recarregada, e mais uma experiência daquelas que vão demorar para desgrudar da retina!

"Eu andarei vestido e armado com as armas de São Jorge para que meus inimigos, tendo pés não me alcancem, tendo mãos não me peguem, tendo olhos não me vejam, e nem em pensamentos eles possam me fazer mal. "

Salve Jorge!

sábado, 18 de abril de 2009

São tantas emoções...

Domingo, 19 de abril é aniversário do Rei - 68 anos de idade e 50 de carreira. O Rei, que frequentou minha infância através da minha avó e os inevitáveis especiais de fim de ano da Globo.

Nunca fui fã dele mas confesso que a noite dessa sexta-feira mudou tudo! O responsável? Carlos Evanney. O sósia e cover carioca cheio de detalhes e emoções que teve seus 5 minutos de fama no Segundo Caderno do Globo especial sobre Roberto Carlos, e que lotou o pitoresco restaurante da Lapa, A Capela, na noite desse dia 17 de abril.


Na platéia, entre os fãs que acompanham a carreia de Evanney, senhoras de meia idade (e de idade inteira), famílias completas incluindo crianças e vovós e uma mesa com 5 jovens na faixa de seus 30 anos, que destoavam do cenário almodovariano do espaço de paredes rosas, banheiros com luz negra e e clássicos garçons de paletó branco (kitsch no último). Nessa mesa estava eu.


Eu achava que estava preparada para mais essa experiência antropológica mas o que presenciei, as emoções que vivi, foram muito acima de qualquer expectativa.

Vou chamar Evanney de Rey. E deixo o legítimo com o título de nobreza maior, Rei.

Para começar, quem atendeu o telefone para fazer a reserva da mesa? O Rey! Quem é que cuida da bilheteria (o ingresso custa R$ 10,00)? A filha do Rey, a Pryncesa Roberta Carla (é sério)! Quem é que cuida do merchandising, vendendo camisetas e CDs? Yolanda, a Raynha.

Entre um sucesso e outro, das românticas às animadinhas da Jovem Guarda, o Rey falava bastante, escorregando algumas vezes no português. Divulgava o churrasco no sítio em Jacarepaguá incluindo show, cerveja e refrigerantes, e a sensacional versão Y do Emoções em Alto Mar, com uma escuna pela Baía de Guanabara. Cada evento custa a bagatela de R$ 100,00 por pessoa, e as duas primeiras edições já renderam DVDs (também a venda).

Sorteios de brindes (camisetas e CDs, claro!) e um ligeiro bingo, cujos números ele mesmo decidia, baseado nas datas importantes como o dia do churrasco e o dia do show, entretinham a platéia na programação que durou 3 horas! Pedidos de músicas e notificações de aniversariantes presentes chegavam pelos guardanapos (não resisti e mandei um em nome da minha avó).

Um canal de TV aberta registrava a grande noite e fez com que o pavão do Rey se exibisse ainda mais, dando tudo de si, se derramando em charme, sorrisos e olhares. Minha câmera também animou o palco, habitado por um tecladista e um guitarrista (sósia do Pedro de Lara), que tinha como cenografia uma lona azul, tipo de caminhão, servindo de pano de fundo, com cartazes emoldurando aqueles 3 metros de puro improviso.


Me surpreendi ao perceber que eu sabia cantar todas as músicas (exceto Mulher Pequena, que não é da época da minha avó). E confesso que me arrepiei com os primeiros acordes daquele órgão típico de churrascaria ao anunciar "Como é grande o meu amor por você" e "Outra Vez". Não resisti e comprei o CD devidamente autografado pelo Rey, que ao escrever a data invertida (ano/dia/mês) me disse que é assim que o Rei escreve! Então tá...


Para terminar o espetáculo (sim, essa é a palavra certa para definir o que aconteceu naquele lugar), Yolanda traz as rosas vermelhas e o Rey circula por todo o salão entregando pessoalmente para todas as damas presentes. Tudo devidamente registrados pelas câmeras de celular e outros flashes, na tentativa de eternizarem o grand finale.


Abraço a Raynha e digo que vou voltar e levar mais gente no próximo show. Ela agradece e abre um sorriso enorme: "Vocês abrilhantam isso aqui". Quem abrilhanta é você, Yolanda, cuidando para que a cada noite dessas mais fãs tenham a sensação de ter passado bons momentos como se estivessem ao lado do Rei, o Roberto. Eu mesma tive essa sensação diversas vezes durante a noite.

Já com o restaurante quase vazio, peço ao Rey para posar para algumas fotos e ele pergunta se sou jornalista, onde vão sair as fotos, e vejo uma ponta de decepção ao dizer que não, é só para um blog mesmo. Na crista da onda (ou tentando estar), o Rey me diz, com aquele tom de voz de quem nunca perde a majestade "Me adiciona no Orkut! Coloca as fotos lá para eu ver!" e finaliza com uma piscadinha.

Evanney, no Orkut não vai dar, mas já adicionei você na coleção de momentos memoráveis da minha vida.

Agradecimento especial ao Bro, o grande divulgador, que me permitiu viver esse momento lindo...

sábado, 11 de abril de 2009

Algumas gotinhas...

Fim de tarde bonito e fui pra praia terminar o filme que estava na Holga. Cheguei no calçadão e o espetáculo da ressaca estava no auge! Um monte de gente assistindo, fotografando, os garis tentando varrer a areia da pista e da ciclovia, cachorros correndo, crianças brincando e 3 clicks depois, meu filme acabou!

Corri até em casa para pegar a outra câmera e fotografar mais! A luz estava incrível e ia render boas fotos.

Voltando a praia, resolvi ir caminhando pela areia, como várias outras pessoas faziam. Menos de 100 metros depois e 3 fotos batidas, veio uma onda que achei que só ia molhar meus pés. Só que molhou os pés, as canelas, os joelhos e me derrubou! Caí sentada e só deu tempo para levantar a câmera, a única coisa que estava nas mãos!

Nas mãos... porque no bolso estava meu iphone e minha chave de casa. Lá continuaram, molhados. Nos pés, as havaianas que ficaram de oferenda para Iemanjá. O iphone começou a gaguejar (estava ouvindo música) até que calou.

Voltei pra casa, ensopada e descalça, como todo mundo me olhando! A câmera está semi-viva... Não tira foto, o display não funciona e não passa as fotos para o computador. O iphone, morreu...

Valeu a pena? Não pelas fotos... Sim pela lição aprendida e mais uma história para contar! Agora resta esperar se eles voltam a vida ou qual será o tamanho do prejuízo.

Atualização: a câmera está voltando a dar sinais de recuperação e consegui tirar as 3 fotos de lá. Essa aqui foi a última, a derradeira onda que me derrubou! FDP!!

sexta-feira, 10 de abril de 2009

"I will always love you"


Escrever sobre a minha irmã é a coisa mais fácil e mais difícil ao mesmo tempo...

Minha irmã mais velha. Maria Eduarda. Dada. Dudinha. Só 2 anos a mais. Ariana. Alta. Linda. Brava. Carinhosa. Minha melhor amiga. Sem sombra de dúvidas. Daquelas que a gente briga e fala a verdade, sem ter medo do que vai ouvir de volta. Daquelas que a gente conta tudo e leva bronca, quando tem que levar.

Mas não foi sempre assim. Tem aquela fase em que 2 anos separa uma pirralha de uma pseudo-adulta e era como ela me tratava! 14/16, 15/17... Me dedurou quando fiz coisa errada. Me excluía de assuntos de adolescente. Tinha segredos e códigos na agenda que eu bem tentava ler escondido. Não brincava mais comigo. Normal...

Quando ela veio morar no Rio e eu fiquei sozinha, trocávamos cartinhas de saudade, ela me contando como era tudo por aqui, as novidades, os programas que ela fazia... A gente teve até uma música nessa época "I will always love you" da Whitney Houston. Não podia ouvir que caía no choro (e acabei de colocar aqui para lembrar e advinha?? chorando...). Até que chegou a minha vez de vir pro Rio.

Moramos juntas durante uns 4 anos - parte no quarto e sala da Rua da Matriz, parte no dois quartos da Vinícius. Uma época que não sei quem era mais difícil: eu ou ela! Cheias de personalidade, qualquer coisa era motivo de briga! Mas foi ali que amadurecemos juntas e nos escaldamos para a vida. Sei que já éramos amigas, e apesar de todos os barracos, ela sempre me levava com as amigas dela para o People, El Turfe, Gattopardo. Nos divertíamos pra caramba!

Saí dali pra casar e voltei da lua de mel com um CD da Marisa Monte me esperando com um bilhetinho falando da música "Amor I love you". Uns 2 anos depois foi a vez dela casar... A noiva mais linda e feliz que já vi (muito mais do que eu!) e eu amo o amor deles.

Fiquei doente, me separei. Fiquei feliz, sofri de amor. E ela sempre do meu lado, nunca me julgou. Sempre me defendeu como uma mãe. Minha irmã sai correndo de onde estiver se eu precisar dela. Seja para conversar, para chorar, para cuidar da minha dor de cabeça ou dor de barriga. Me dá colo sempre que eu preciso.

Sempre passamos reveillon juntas e, independente de onde vamos estar, o importante é estar com ela! Me dá sorte para o ano que começa! No ano passado viajamos juntas para NY, só nós duas... um sonho realizado! (Essa foto aí em cima é da viagem)

A gente malhava juntas, fazia unha juntas, um monte de programas de mulherzinha mesmo. Mas o personal nos abandonou, a manicure trocou de salão e deixei de estar com essa menina o tanto quanto eu gostaria! Mesmo ela morando há uns 2 km da minha casa!

Mas cada uma tem a sua vida, seu trabalho, seus programas e esses encontrinhos tem ficado mais raros, e eu sinto falta. Mas tenho certeza que a gente pensa uma na outra todo dia!

E hoje ela me fez rir e chorar. Rir de lembrar de várias histórias impublicáveis. Chorar de saudades. Chorar de amor.

Happy Birthday, Sis! I will always love you...

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Pessoas

É bom estar perto de pessoas. Pessoas que gostam de pessoas. Pessoas que gostam de você e das mesmas coisas que você. De ser. Humano.

É bom estar perto de pessoas que gostam de falar e escutar. Não simplesmente ouvir. De rir. De sorrir.

É bom estar perto de pessoas que despertam na gente vontade de ser mais gente. Vontade de abrir os braços e o coração. De dar a mão.

É bom estar perto de pessoas que sabem achar graça de si mesmo. De contar piada, contar viagens, mas jamais contar vantagens.

Obrigada, Pessoas!

segunda-feira, 30 de março de 2009

Íntimo & Pessoal

De volta ao curso de fotografia, esbarrei com um exercício que me causou uma primeira reação que desencadeou um monte de ações.

Exercício: fotografar com filme, câmera SLR, P&B.
Reação: não tem a menor chance! Não consigo fazer isso!
Ação: pegar uma câmera emprestada e comprar o filme! Ah, eu vou conseguir! Todo mundo pediu para fazer digital, então eu vou fazer em filme!

Os temas: Intimidade e Auto-retrato (conceitual, sem aparecer na foto!), eu juntei os dois e transformei em Íntimo e Pessoal.

Que exercício! Foram 2 semanas marcadas por uma série de "primeiras vezes" (ficou estranho isso, né?)

Foi a primeira vez que fotografei pensando antes o que ia fazer, pré-concebendo a idéia na minha cabeça antes de executar, buscando elementos que entrassem no tema sugerido, que combinassem com a história do p&b, tuda na caixola!! Normalmente minhas fotos "acontecem" - saio de casa sem saber com o que eu vou voltar! Dessa vez foi diferente e gostei MUITO!

Foi a primeira vez que fotografei em P&B! Sempre fotografo em cores e depois passo para P&B para ter as duas opções, mas gostei também dessa idéia de não ter opções. Ou é aquilo ou não é.

Foi a primeira vez que fotografei com filme em uma câmera SLR! Tudo no manual, direitinho, como manda o figurino. A demora entre o filme acabar, revelação, contato e ampliação quase me mataram de ansiedade. Quanto suspense! Mas posso diser que mandei muito bem para primeira vez: fotometria, foco, filtro, etc! Gostei dessa experiência apesar de ser impaciente para esperar o resultado mas esse foi um segundo exercício nesses dias.

Foi a primeira vez que fiquei nervosa de apresentar minhas fotos na sala. Alguém pode me explicar o por quê? Frio na barriga... Acho que foi o tema (e porque a maldita ordem alfabética me faz ser a primeira!)

O combinado era levar só 4 fotos, mas, claro que eu não consegui! Levei 8!

Como é cada vez mais difícil (e demorado) revelar filme, fazer o contato e ampliar, fiz as fotos também em digital com medo que não conseguisse tudo a tempo de levar na aula (e não ficou mesmo).

Então você pode ver aqui o resultado dessa experiência.

Bom, eu adorei esse gosto diferente, um poder de chamar essas fotos de "minhas"! Tomara que vocês gostem! ;)

Obrigada, Bia, que me emprestou seu brinquedinho, e Alex, que acompanhou de perto todo esse processo!

segunda-feira, 23 de março de 2009

Pulga ou carrapato?

Ando vivendo dias de coceira! Coceira de mudanças. Aquela coceira mental que não deixa a cabeça sossegar! Essa noite sonhei que arrumava as malas, fechava a porta de casa e partia...

Hoje consegui passar uma pomadinha e elas acalmaram um pouco. Vamos ver por quanto tempo...

E aí completo o dia esbarrando em um parágrafo de Marta Medeiros (que eu tanto gosto) que me transforma num suspiro em forma de gente. Seja lá o que tiver que ser, sigo esperando o dia de fechar a tampa. É só esperar coçar de novo...

"Toda mudança cobra um alto preço emocional. Antes de tomar uma decisão difícil, e durante a tomada, chora-se muito, os questionamentos são inúmeros, a vida se desestabiliza. Mas então chega o depois, a coisa feita, e aí a recompensa fica escancarada na cara."

--M. Medeiros, livro Doidas e Santas, página 226.

sexta-feira, 20 de março de 2009

1 ano sem...

E a lista foi quase toda de frutas (15) mas teve que ser complementada com 4 cositas extra-pomar! Ah! A cerva ficou de fora desse ano...

1 - Morango
2 - Abacaxi
3 - Banana
4 - Maçã
5 - Melancia
6 - Manga
7 - Tangerina
8 - Limão
9 - Uva
10 - Kiwi
11 - Maracujá
12 - Laranja
13 - Pera
14 - Açaí
15 - Coco
16 - Vodka
17 - Farofa
18 - Palmito
19 - Sorvete

E SORTEADO FOI... Vodka! Depois de um ano sendo a minha melhor amiga, companheira de muitos shows, festas, jantares, na caipirinha nossa de cada dia ou com o Touro Vermelho para turbinar uma noite que precisa de mais pressão, agora tenho que me afastar dela por 12 meses. Pelo menos a cerveja voltou a me acompanhar!

Agora, a questão que não quer calar: por que Sâo José está fazendo essas provações alcóolicas comigo? Eu que nem sou cachaceira... Estranho! Muito estranho!

quinta-feira, 19 de março de 2009

Salve São José!

E hoje, finalmente, é 19 de março, dia de São José. Como já contei aqui no ano passado, virei adepta da simpatia de fazer um pedido, sortear uma entre 19 frutas, e ficar 1 ano sem comer a bendita para o desejo ser atendido pelo santo.

Bobagem ou não, acreditem ou não, eu gosto de fazer um sacrfício leve para me lembrar sempre durante 365 dias de alguma coisa que quero muito.

Esse ano que passou foi barra pesada! Completei a lista de 19 itens com coisas que não eram frutas (já que não existe essa quantidade do meu gosto). Passei os 12 meses do ano sem tomar cerveja (nem chopp)! Valeu a pena!

Ontem a meia noite, abri a primeira. E hoje vou tirar o atraso além de sortear o novo desafio que não vai incluir a cevada. Talvez coloque vodka, já que estou com a cota do destilado acumulada para aguentar essa nova temporada de abstinencia.

Amanhã eu conto o que foi porque só vou sortear bem pertinho de meia noite! Quem quiser me procurar pelos bares do Rio fique a vontade!

Cheers!

quarta-feira, 18 de março de 2009

Divã versão 9.0 - motorizado

7 da manhã. Acordou sentindo dor. Não sabia de onde vinha aquela pontada aguda. Achou que era dor nas costas, dor de cabeça, cólica,... Nada disso. Ela sabia muito bem o que era aquilo mas se recusava a admitir. Tomou uma neosaldina, um ponstan, uma aspirina e um redoxon. Vai passar.

Passou o dia. A dor não. Foi para casa. Com a dor junto. Mais um buscopan, um tylenol, um trimedal. Não conseguiu dormir. Rezou um Pai Nosso e três Ave Maria.

Tinha pânico de dentista. Pavor. Fobia. Horror. Não, não podia ser dor de dente mas era lá dentro daquela cavidade vermelha, escura, que um monstro parecia surgir. Olhava no espelho e abria a boca. Escovava os dentes e fazia bochechos com cepacol de 5 em 5 minutos. Amanhã vai passar. Tem que passar.

Passou a noite. A dor não. Passou a mão no telefone. Ligou para a irmã, dentista. Essa se recusou a atende-la. Ligou para o pai, dentista. Esse fugiu da raia e indicou um amigo: Dr. Cisudo poderia cuidar dela a qualquer hora mas dessa vez foi ela quem fugiu.

Passou em casa e de lá para a terapeuta que lhe passou um sermão. Discutiram a relação do medo com a profissão do pai. Transitaram pela disputa na infância com a irmã, que seguiu a carreira do papai. O ex-marido também era dentista. Exploraram a dor do parto normal, a dor da perda, a solidão de estar longe do marido. Uma verdadeira sessão de exorcismo.

Juntou todas as forças que não tinha, agarrou a foto do filho na mão esquerda e já chegou no consultório de boca aberta: "Vai Dr. Cisudo! Tira logo todos os problemas da minha vida dessa boca!"

segunda-feira, 16 de março de 2009

Busca vida

Abro uma página em branco. Quero escrever mas não consigo. Me pergunto qual a parte do meu cérebro bloqueou as palavras e as idéias, mas descubro uma outra desculpa para esse branco.

Antonio Torres, o mestre da minha oficina literária, contou que uma vez foi perguntado por uma amiga por que estava num jejum de escrever e ele respondeu "Estou feliz!"

Uso a mesma desculpa a partir de agora. A melhor amiga da poesia é a tristeza, seguida pela melancolia, a saudade, a desilusão. E nenhum desses sentimentos habita o órgão vital desse corpo humano que vos escreve.

Sim, porque eu escrevo com o coração e não com a imaginação. O combustível literário entrou na reserva e já não consegue chegar na esquina. Volto, então, a dar voz aos meus olhos. Espero que as imagens passem a falar por mim, contar uma nova fase onde talvez palavras não sejam tão necessárias.

Ando lendo mais que escrevendo, vivendo mais que escrevendo. E o melhor de tudo: feliz, como há muito tempo não me vejo.

terça-feira, 10 de março de 2009

Sigam-me os bons

Há quase um ano atrás escrevi aqui sobre o tal Twitter. Falei mal porque a idéia passada do "que você está fazendo?" me pareceu uma bobagem. Mas agora cedi porque descobri que muita gente interessante, canais de comunicação e empresas, usam a ferramenta como um veículo de informação.

A quantidade de coisas que aprendi (úteis e inúteis) nos últimos dias é enorme, e as que deixei de ler por falta de tempo é ainda maior. Música, foto, cinema, publicidade, moda, futilidades, humor,... De tudo um pouco!

Pois bem, decidi, no conceito de microblogging, que usaria o espaço de 140 caracteres para postar os Drops que constumava escrever aqui. Pensamentos e idéias que não são suficientes para um texto mais completo agora vão parar no @dropsdomeumundo.

Estão convidados a passar por lá, no que é o complemento desse meu mundinho aqui! Mas não esperem saber se eu tomei sopa ou vi novela porque isso é o tipo de informação pessoal e intransferível que não coloco em lugar nenhum!

terça-feira, 3 de março de 2009

Como viver sem conviver?

Reaprender a conviver com alguém dentro de casa foi uma experiência sensacional. Foram 3 semanas de encontros e desencontros, nenhuma briga, boas conversas, coisas em comum, experiências, braços e corações abertos.

Três semanas que me levam a concluir que é bom demais ter companhia, que eu gosto disso, apesar do meu discurso que vivo muito bem sozinha (e vivo mesmo!). Mas principalmente que estou pronta para ter alguém dentro da minha casa, da minha vida, já que a minha rotina não precisa ser alterada por causa disso. E uma nova rotina pode aparecer. Com alguém que realmente importe, que faça valer a pena.

Tive um hóspede não uma visita. Eu não tinha que fazer sala. Ele chegava a hora que queria, tinha a vida dele e eu a minha, e de vez em quando tínhamos a nossa. Tinha a chave de casa, a chave do carro, a chave do meu coração.

Aprendi que o que mais incomoda no outro também pode ser um defeito seu. Vi qualidades em comum como acordar de bom humor, cantando, como num comercial de margarina. Voltei a ter "fila no banheiro", tomar banho com a porta fechada, não ficar andando de calcinha pela casa, ter sempre alguma coisa na geladeira (pensando no que ele gosta) - apesar dele só beber água. O hóspede não come, não toma café da manhã, só bebe água. Bastante! Quando comia alguma coisa, só lavava só a louça dele!

Ter zelo como "Vai chegar tarde? Te espero para comer?" no começo foi confundido com controle por ele, mas nada mais era que a vontade de conviver.

Sair junto foi uma experiência engraçada já que era certo que ficaríamos no 0X0 pois quem olhasse ia achar que éramos um casal. Tudo bem, tudo certo. Nenhum dos dois estava nem aí para isso.

Saudades que vai fazer esse menino com suas mochilas espalhadas pela casa, pelos no chão, aquele bom dia com um sorriso no rosto, cara amassada e todo descabelado... Mas ele se foi e hoje acordei sem o meu sorriso no rosto.

Chamei ele para morar comigo, para "casar" comigo! Vê se pode! Fique com a chave e volte quando quiser - só liga antes para eu guardar o boneco!

Segue sua vida, meu irmãozinho, que eu sigo a minha, e a gente se encontra em algum bar no caminho. Te amo.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

No Limite

Das aventuras que vivi no Carnaval, ficou a dúvida se conto em tom tragicômico ou em lição aprendida. Vou tentar misturar as duas versões, e as duas histórias em uma só. Não se assustem pois não foi uma viagem perrengue. Foi ótima e até esses percalços foram divertidíssimos.

Afinal, o que é uma pessoa senão as histórias que ela tem para contar?

No Limite 1

Passeio de barco. 9:00. 7 pessoas. Destino: Ponta do Corumbáu. Café da manhã ainda no estômago e o ritmo da traineira me deixando verde. Não podia vomitar ali, na frente de todo mundo... Olhava para o céu, para o mar, para o continente, para o marinheiro, para os companheiros, tirava foto, e assim consegui chegar intacta depois de duas horas sacolejando.

O lugar, paradisíaco. Maré baixinha. Um braço de areia invadindo o mar. Fotos, mergulho, e na hora marcada, todos de volta ao ponto de encontro, incluindo o marujo que resolveu trazer o barco mais para perto já que a maré tinha subido e a ponta de areia, sumido.

Até que... o sinal de negativo do comandante deu a notícia: motor queimado. Minha informação constava que só era possível chegar lá por ar ou por mar! Logo, só restava a segunda opção já que éramos 7.

Prova do líder: quem é que vai conseguir tirar a trupe da ilha de Lost? Uma dupla sai em busca de uma solução, com 20,00 na mão e um celular sem sinal. Eu parto em seguida atrás de um guia com um grupo que ia para Comuruxatiba (sei lá se o nome era esse!) mas me deu a dica que era para procurar o Alexandre no Restaurante Panela de Barro que tinha uma escuna que ia para Porto Seguro.

Antes de chegar no restaurante, encontro com a dupla #1 já negociando com um barqueiro, depois te ter corrido atrás do mesmo Alexandre sem sucesso. A nova traineira, Arco Íris, nos esperava. Resgatamos os outros membros do reality show, as bolsas no outro barco e às 4 da tarde partíamos de volta para casa.

De estômago vazio, fico verde de novo. E vermelha, já que essa parte da missão foi sem boné, protetor, roupa, nada!

No meio do caminho, resolvo perguntar ao garoto que pilotava a geringonça por que ele estava tão longe da costa já que na ida tínhamos beirado o continente. A resposta não podia ser melhor: o barco não tinha licença para passeio. Sem nenhuma esperança na resposta positiva, perguntei se tinha colete salva-vidas. Claro que tinha! Um só! Vamos rezando então! Pai nosso que estais no céu...

No Limite 2

O dia seguinte amanhece um pouco nublado e resolvo ir do Espelho até Caraívas caminhando. 1o km pelas praias com uma trilha pela falésia no caminho. 2:30. Totalmente viável. Mas o gerente da pousada não recomendou que eu fosse sozinha.

Surgem duas paulistas prestes a sair com o mesmo objetivo. Me convidei para ir junto e pé na tábua! As duas andavam bem rápido apesar de serem gordinhas. Uma hora depois estávamos perdidas. Tinha passado a entrada da trilha e chagamos numa falésia que não dava para atravessar. Meia volta, volver!

Encontramos a placa que indicava a subida. Hesitei em continuar. Disse que ia desistir e voltar para o Espelho. As gordinhas me desafiaram. Agora era uma questão de orgulho! Não podia deixar por menos.

Ainda na subida da trilha já tinha me arrependido. Meus pés, descalços, ardiam. As havaianas atrapalhavam mais do que qualquer coisa. Chego no fim da trilha preocupada. Ainda faltava pelo menos 1:30 e não sentia meu pés.

Sugeri que a dupla fosse na frente, no ritmo delas, mas que de vez em quando olhassem para trás para ver se eu estava viva. Imprimi um passo tartaruga naquela imensidão de areia, mar e céu azul. As nuvens sumiram e o sol ardia, não mais do que a sola do meu pé.

A essa altura, as havaianas melhoravam um pouco a situação. Areia fina, areia grossa, areia quente, areia fofa, areia que não acabava mais. Uma esfoliação extrema!

Me arrastando cheguei na Barraca do Satu, que na teoria ficava a 40 minutos do destino final. Paramos para uma água de coco e um mergulho. Quando analisei o estado dos meus pés, me assustei. Bolhas, enormes, vermelhas, assassinas.

Não tinha solução. Impossível voltar, impossível pedir um Amil Resgate, um taxi, um barco, um cavalo, um anjo, qualquer coisa... Absolutamente nada passaria naquele lugar para me salvar. Começou então o trabalho psicológico da luta da mente sobre a dor.

A visão não alcançava nada com cara de ponto de chegada. Olhava para o chão para não me desesperar. Me arrastava. Não conseguia dar dois passos seguidos. Deixava pelo caminho pedaços de pele que se misturavam com a areia. O peito do pé tatuado pelas alças das havaianas. A cabeça dando voltas. Já não enxergava mais as duas andarilhas com pés de ferro.

Eis que surge a luz no fim do túnel, ou melhor, o fim do deserto molhado. Faltava pouco mesmo, mas foi justamente nesse pouco que a bolha estourou. A água salgada fez arder e a dor que eu negava estar sentindo subiu pela perna vencendo a mente nos metros finais. Chorei como uma criança. As paulistas me davam parabéns, que eu era uma vitoriosa, uma guerreira, e me faziam chorar ainda mais.

Foram mais 3 passos para entrar na canoa que fazia a travessia do rio e depois mais uns 15 até chegar em uma pousada que me deu uma banho de água doce e fria, um curativo e uma cachaça. Uma não, duas!

Estava pronta para ir embora. De carro. Essa era, finalmente, uma opção. Mas antes tinha que fotografar esses vilarejo ribeirinho com índios, charretes e pescadores mirim. Rústico ao extremo.

Todo e qualquer sofrimento que passei até esse dia da minha vida, ficou para trás. Nada se compara a transformação que minha mente passou nessas quase 4 horas da maior prova de superação que vivi.

No Limite 3

Ainda tem mais? Calma!!!

Último dia. Não poderia deixar de dar o mergulho final. Teria que andar uns 10 metros, na areia. Fui andando pela sombra de uma árvore quando de repente dou um pulo que quase chegou no galho mais alto. Não era a bolha reclamando...

Pisei na brasa que o filho da puta do cara do queijo coalho deixou ali estrategicamente me esperando para ferrar com o outro pé!

Quarta-feira de cinzas. Ou de brasas. Hora de ir embora mesmo.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Sem muita escolha

Você comenta com o seu chefe que vai viajar no Carnaval para uma praia paradisíaca. Ele se anima e pergunta se ainda tem lugar na pousada que você vai ficar. Você:

a ( ) É sincero, diz que a pousada está lotada mas se oferece para procurar uma próxima, afinal, seu chefe é super gente fina e seria uma boa ocasião para estreitar laços com ele.

b ( ) Mente dizendo que as três pousadas da praia estão lotadas, e que vai ter que ficar para a Semana Santa. Nem pensar em passar 4 dias com o chefe, sozinho, alugando você e sua(seu) namorada(o)!

c ( ) Não consegue escapar dessa porque se mentir e ele descobrir, será pior ainda. Encara o desafio, tenta fugir dele enquanto estiver por lá e aprende a lição de nunca mais contar para onde vai viajar.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Se alguém perguntar por mim...

... fui para Maracangalha!
Volto na quarta!

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Divã com bula

- Boa Noite, Seu Sérgio. Posso ajudá-lo?
- Boa noite, Ludovico. Tô precisando da sua ajuda sim. Estou com uma coisa no peito..., sabe?
- Sei... Há quanto tempo está sentindo isso?
- Olha, tem alguns anos, mas desde domingo que estou sentindo que piorou.
- Sei... Onde no peito exatamente?
- Bem aqui no meio. Uma sensação ruim, um peso, e tem horas que parece que vai explodir.
- Sei... Tem horários que piora?
- Ah, tem. De noite é bem pior. Quando chego em casa, sozinho, é que vem o aperto no peito. Chego a chorar, sabe?
- Sei... E você já conseguiu colocar alguma coisa para fora?
- Não. É por isso que eu estou aqui. É exatamente o que eu preciso. Eu não tenho ninguém, você sabe, né? Se você pudesse...
- Sei... Tenho o remédio perfeito para isso que você tem.
- Jura? Imaginei mesmo que já tinham inventado uma poção mágica para isso. Não aguento mais sofrer...
- Última novidade, lançamento do Laboratório Legrand: Expec. Tem sabor cereja e mentol. Você vai ficar muito satisfeito com o resultado.

Me diz... Pra que analista se a gente tem a DrogaRaia??

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Para Viagem

Há muito tempo tinha deixado de lado o hábito de jantar. Passou a fazer lanches rápidos sentada no sofá. Em frente a TV. A mesa, destinada à refeições em outras épocas, hoje em dia não passava de um aparador. Nem cadeiras tinha.

Também tinha esquecido o prazer de receber amigos em casa. Sua solidão era a companheira de todas as noites dentro da sua bolha. Toda louça, talheres e copos especiais estavam guardados, num armário, bem no alto e, provavelmente, cheios de poeira.

Mas aquela terça-feira seria diferente. Receberia a visita de uma amiga de infância que não havia feito parte dos últimos 20 anos da sua vida. Resolveu que faria em grande estilo, dentro do possível.

Improvisou duas cadeiras e começou a preparar o cenário. Foi até o armário de roupa de cama, onde achava que poderia encontrar uma toalha de mesa que chamasse a atenção de sua visita, mesmo não sabendo exatamente qual seria o gosto daquela pessoa que havia se tornado uma estranha.

Deu de cara com uma toalha branca, redonda, com bordados richelieu. Era ela mesmo! Vistosa. Presente de enxoval da ex-sogra.

Se posicionou e estendeu a toalha sobre o tampo de vidro da mesa. E dali, daquele ângulo, viu a sua casa de um ponto que nunca tinha visto. Ficou estática observando, congelada. Começou uma viagem no tempo.

As paredes estavam vazias. Tinha tirado os quadros e só restaram os pregos. A sombra da luminária deixava um pedaço da sala malhado. Livros, alguns lidos e outros tantos ainda por ler. O tapete, pequeno para o tamanho da sala. Os sofás antigos mas bem conservados, com almofadas que tinham ser trocadas. A televisão de 29 polegadas, ligada no Jornal Nacional.

Na estante, objetos cheios de história. Um porta-retrato com uma foto da mãe. A coleção de rolhas, todas com as devidas anotações de datas e ocasiões. Os livros de arte que ganhou de presente de uma tia, na época em que se arriscava com os pincéis. O arranjo de mesa da festa do seu casamento. Uma garrafa azul que trouxe da Espanha. Um baleiro antigo, vazio, um vaso de porcelana chinês, ambos presentes de casamento. Um presente do ex-marido, outro do ex-namorado. Um pássaro de madeira que quase quebrou na mala na volta da viagem de Portugal. Velas bastante choradas em ocasiões inesquecíveis. O galo que trouxe do Chile, a boneca do Japão, o pedacinho do muro de Berlim, lembranças de muitas viagens, algumas acompanhada, a maioria sozinha.

O interfone tocou. O Jornal Nacional acabou. E ela não descongelou. Algum tempo se passou, alguns minutos talvez, e ela percebeu que não queria mais reviver aquelas histórias. Tinha ânsia de escrever uma nova.

Pegou tudo da estante e colocou sobre a mesa. Com a toalha bordada fez uma trouxa e colocou tudo na lixeira. Exceto o porta-retrato.

E levou a amiga para jantar fora.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Estupidez sanitária

Eu queria saber quem foi a mente brilhante que inventou a lixeira de banheiro que abre a tampa com pedal!

Certamente foi um homem e que, quando senta no vaso, não usa a lixeira. Joga papel no vaso.

É humanamente impossível pisar no pedal enquanto se está sentada no vaso porque ele sempre está no cantinho ao lado (talvez curupira conseguisse) ou numa distância de pelo menos 1 metro do usuário.

E aí, já passou por isso? Faz o quê? Joga o papel no vaso mesmo ou levanta de calça arriada naquela situação ridícula para alcançar a maldita lixeirinha?

Eu jogo no vaso, xingo quem inventou e quem comprou! Rrrrrr

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Tela Quente

Deito na cama e me acomodo para a sessão de meia-noite. Os olhos se fecham transformando as pálpebras na maior e mais moderna tela de projeção do universo.

Silenciosamente, a porção fantasiosa dentro de mim, chega à blockbuster do meu cérebro para escolher a programação: curta ou longa, documentário ou ficção, comédia, romance, drama ou suspense.

A sessão começa, sem pipoca mesmo. Muitos são merecedores de Oscar. Outros entram para a lista trash de piores produções do ano. Alguns dejavu. Nunca vi! Ô imaginação! Se Freud fosse jurado da Academia...

Quando surge a pausa para o banheiro, o filme nunca recomeça de onde parou e invariavelmente dá início uma nova sessão com outro roteiro e personagens. As vezes é mais de um filme por noite. Só para confundir a espectadora aqui.

Não sei qual a explicação, mas tem dias que não passa filme nenhum. Ou o projetor quebrou, o lanterninha faltou, mas as noites em branco geram manhãs de dúvida. O que passou? Onde estive essa noite? E aguardo ansiosamente pela próxima sessão, no dia seguinte.

As sessões são solitárias, a tela individual, pessoal e intransferível. Nunca ninguém vai conseguir assistir ao mesmo filme que eu, mesmo estando ao meu lado. E por mais que eu tente contar a sinopse depois, muito detalhes fogem e a experiência não pode ser dividida da mesma maneira.

São filmes que eu jamais vou sonhar de novo. Apresentações únicas, sem trailler, replay, nem créditos finais, muito menos agradecimentos!

O melhor de tudo é acordar e lembrar de tudo. Ou não lembrar de nada.